Pode reciclar?

Posted in Sem categoria on dezembro 6, 2010 by klebert

Um dos temas mais discutidos dentro da arte é o que pode ser considerado original, ou seja, novo. Sendo que muitos artistas se utilizam de conceitos já existentes como base, inspiração ou caminho para construir sua própria arte. Entretanto, deve-se tomar alguns cuidados para que esse processo não se torne um apossamento do que já foi criado, como identificar o que são idéias de terceiros das próprias opiniões. Porém, isso pode ser feito com maior facilidade se tratando de literaturas, sendo mais complexo, por exemplo, para o meio fonográfico. Tudo isso, faz com que se crie um conceito chamado cultura de reciclagem.

As citações ou releituras muitas das vezes ganham uma nova roupagem, um novo sentido, com isso vão sendo atribuídos nomes a esses processos de modificações de uma mesma arte, o sampler é um exemplo disso. Este “é um aparelho que grava e permite a manipulação de amostras sonoras”, conhecido “também na música pop como a arte de combinar sons e trechos de música” (Marcus Bastos).

Fernando Botero, um pintor colombiano, é um exemplo interessante de releitura. Em uma de suas obras ele refaz a Mona Liza, de Leonardo da Vinci, com traços como o rosto, bem maiores do que os da original.

O remix é outro conceito criado através da utilização de uma arte já existente. Ele consiste em “um novo tipo de relação de autoria, resultado do diálogo assíncrono entre criadores” (Marcus Bastos). Porém, essa técnica é vista ainda hoje como violação de direitos autorais.

Contudo, vemos que a tensão entre a originalidade e a releitura está presente em todos os âmbitos da arte e que cabe a cada artista ter a consciência de que pode se inspirar só não pode é plagiar.

Post baseado no texto “A reciclagem Cutural” de Marcus Bastos.

O Homem Elefante- David Lynch

Posted in Atividades Culturais on dezembro 6, 2010 by klebert

 

Para mim, sentir é muito mais importante que avaliar. Sentimentos fazem parte do nosso cotidiano, de cada momento de nossas vidas. E, ao assistir um filme de David Lynch, de 1980, diversas emoções e perguntas nortearam minha mente. O que é beleza? (aparência física, intelecto?) e o que faz de uma pessoa um espetáculo? (ser “monstruosa”, ter talento, ser “bonito”? Esses foram alguns dos questionamentos, que me intrigaram a respeito da longa metragem, “O Homem Elefante”- baseado em uma história real relatada por manuscritos de Frederick Treves e do “Estudo da Dignidade Humana” de Ashley Montagu – no qual é relatada a difícil vida de John Merrick (1862-1890), um jovem que apresentava 90% do corpo deformado por uma doença, sendo que em 1996 foi detectada como a “Síndrome de Proteus”.

Merrick foi descoberto em um circo por Frederick Treves, um médico, que lhe ajudou a se livrar de um explorador, que o maltratava e lhe apresentava como a espécie mais degradante dos seres humanos. Sendo muito inteligente e sentimental, as pessoas quando o conheciam a fundo se encantavam com sua beleza interior. Colocando em “cheque” muitos conceitos e estereótipos sobre o que é ser bonito ou feio. Que em minha opinião é um dos pontos chaves do filme, sendo que David, diretor da longa, usou desses e de outros recursos para passar emoção e bem como, uma nova forma de se ver o mundo.

 

David Lynch é um estadunidense nascido em 20 de janeiro de 1946. Que sonhou em seguir a carreira de pintor começando uma faculdade na área, porém, não a finalizou. Entretanto, mais tarde volta a estudar, agora na Academia de Belas Artes da Pensilvânia. Na década de 60 inicia sua carreira cinematográfica com duas curtas metragens, são eles: “Six Figures Getting Sick” (1966) e “The Alphabet” (1968). Contudo, só ganha notoriedade em 1980 quando é lançado “The Elephant Man”, que no ano seguinte recebeu oito indicações ao Oscar, porém não conseguiu nenhuma estatueta. Um ponto a se ressaltar neste filme é que a tecnologia de gravação a cores já estava disponível, mas o produtor, Mel Brooks, decidiu em fazer as filmagens em preto e branco. Lynch tem como característica o gosto por temas estranhos, já tendo feito dez longas, nove curta, quatro séries para TV e duas para exibição online.

 

Para finalizar, o homem elefante, como John Merrick era chamado, é na verdade um exemplo de força, esperança e a confirmação de que a aparência física é apenas um detalhe de uma vida rodeada valores mais importantes.

“Nunca, nunca nada morrerá

O riacho corre, o vento sopra

A nuvem flutua, o coração bate…

… nada morrerá.”

Fala da mãe de John Merrick no filme

As informações bibliograficas do diretor, David Lynch, são baseadas nos sites Wikepédia e Infoescola.

Murilo Rubião: Para ele, reescrever é preciso

Posted in Atividades Culturais on novembro 22, 2010 by klebert

Em 1º de junho de 1916 nascia Murilo Rubião, o contista que era poeta. As poesias não deram certo, mas foram a partir delas que a vida literária de um “solitário” escritor começou.

Mineiro, natural de Silvestre Ferraz, hoje Carmo de Minas, Rubião se destaca como um dos principais escritores de contos do Brasil. Sendo filho de um escritor, começou a ler por exigência do pai, clássicos como Frei Luís de Souza, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco. Mas quem influenciou mesmo a sua carreira foi Machado de Assis e sua babá, que lhe contava estórias recriadas, que traziam o estranho como elemento.

No ano de 1940 o seu primeiro livro, O Ex-mágico, é “finalizado”. Porém, só em 1946 consegue um editor, tendo sido publicado no ano seguinte. Ao longo desse período, faz diversas modificações na obra. Caracterizando uma das suas marcas: a metamorfose. Na qual ele define como “incapacidade que temos para resolver os nossos problemas na vida”. A autora da biografia, que está sendo utilizada como base para fazer este texto, Sandra Nunes, cita que para Murilo o conto só fica pronto quando ele não consegue mais introduzir modificações.

“As palavras atrapalham-me a memória, e o coração, impotente, clama por uma linguagem que não me ocorre. Assim o foi quando escolhia os que deveriam figurar na dedicatória desse meu pobre mágico”. Com declarações como esta, Murilo demonstrou várias vezes que não tinha um bom relacionamento com as palavras. Devido à complexidade de suas ideias, ficava difícil passar para o papel o que sua imaginação criava. Entretanto, ele queria passar clareza nos contos e para isso muitas das vezes era preciso reescrever inúmeras vezes o mesmo texto. Em outra declaração sobre o assunto ele diz: “Uma das coisas que eu queria atingir era exatamente a clareza porque, sabendo que os meus contos eram difíceis, não queria perturbar o leitor com a linguagem. (…) Assim, procuro fazer com que o leitor atente apenas para o simbolismo da minha história. As palavras devem ser as mais transparentes possíveis, para que o leitor não sinta a sua presença… Elas devem ser instrumentos da minha história, pois o fantástico exige isto. Essa clareza de linguagem é muito pertinente ao fantástico…”

As obras de Rubião são baseadas no “realismo fantástico”, ou seja, a linguagem mágica é utilizada para denunciar a realidade. É como ele diz: “O irreal e a fantasia parecem ser mais verdadeiros que o cotidiano.” Suas personagens tendem a se confundir com o mesmo. Classificando-as muitas das vezes como “homens solitários”, escravos da sociedade. Além disso, não são localizadas, não tendo passado, futuro ou história própria. Os contos são escritos para não ter um final objetivo, o autor deixa em aberto para que o próprio leitor decida, um exemplo é “A armadilha” *, que traz alguns pontos principais da escrita do mesmo, como: o final deixado em aberto, o irreal misturado com o real, as personagens solitárias e a falta de esperança. Segundo o escritor, para a leitura dos mesmos, é preciso “saber ler, ter a disposição de aceitação e não de compreensão puramente objetiva”.

Enquanto estava vivo Murilo publicou sete livros, são eles: O Ex-mágico (1947), A estrela vermelha (1953), Os Dragões e Outros contos (1965), O Pirotécnico Zacarias (1974), O convidado (1974), A Casa do Girassol Vermelho (1978) e O homem de Boné Cinzento e Outras Histórias (1990). Um número pequeno se comparado com alguns escritores. Para ele o mais importe era passar qualidade e não quantidade. O autor afirmava que escrevia muito, porém achava inútil uma obra extensa. Além do que, ele não tinha pressa em escrever seus contos, um exemplo disso é “O convidado” que ficou pronto após 26 anos de escrita. Um ponto a ressaltar em sua carreira foi à demora para ganhar visibilidade. Sendo que o auge só veio a partir de seu quarto livro publicado, após 26 anos depois do primeiro.

Murilo Rubião teve câncer e lutou quase dois anos contra a doença. Neste processo ele passou por altos e baixos, melhorando algumas vezes e em outros momentos piorando. Ao falar sobre essa fase, o autor disse: “Tudo se passou como nos contos.” Na data de 16 de setembro de 1991 morre o contista que “contava estórias da babá”, o que fazia críticas a realidade, o que foi comparado com Kafka, mesmo não sabendo de quem se tratava, em fim morre um dos principais mestres da arte de contar estórias do Brasil.

* O conto “A armadilha” está na integra no seguinte link: http://www.releituras.com/mrubiao_armadilha.asp

O post foi baseado na biografia feita por Sandra Nunes do site http://www.murilorubiao.com.br/

“””Performance”””

Posted in Atividades Teóricas on novembro 16, 2010 by klebert

Quando pensamos em performance imaginamos uma arte sendo feita pelo corpo e executada ao vivo. A nossa concepção nos leva a pensar que este movimento artístico se compreende em um único caminho. Com base em seu auge nas décadas de 60 e 70 poderíamos afirma que este é o conceito correto. Porém, ele é muito mais complexo e abrangente, sendo esta idéia somente mais uma de suas várias formas de realização.

O movimento performista ganhou visibilidade nos anos 60 e 70 com artistas que valorizavam performances ao vivo, visto por um público, num tempo e espaço específicos. Um desses artistas era Joseph Beuys, professor e um dos participantes de Fluxus, denominação dada a um grupo de performistas, este realizou obras como “Como explicar desenhos a uma lebre morta” (1965) , “ Eu amo a América e a América me ama (1974), “Cadeira com gordura” (1963) e “Infiltração homogênia para piano de calda” (1966),  sendo que as duas primeiras são peformances ao vivo e as demais esculturas. Contudo, tivemos vários outros, nesta época e antes desta como John Cage, Kazuo Shiraga, Valie Expport, Peter Weibel, Marina Abromovic e Chris Burden.

No segmento de esforço físico, ou melhor dizendo, de ir além dos limites de um ser humano, Burden e Abramovic se destacaram. A primeira em 1971 trancou-se a cadeado em um armário do vestiário da Universidade de Califórnia e por cinco dias permaneceu ali, tendo como único alimento uma garrafa de água que lhe chegava pela parte de cima do armário. Entretanto, a sérvia Marina Abramovic despontou na arte de desafiar o corpo. Em performances denominadas “Ritmo” a artista fez apresentações como gritar até a externuação completa e ficar totalmente rouca ou dançar até cair por esgotamento.

Podemos assim concluir que performance é muito mais que somente um conceito. Sendo que a performance pode ser trabalhada em vídeos, instalações, desenhos, filmes, textos, fotografias, esculturas e pinturas.

Post baseado no capítulo introdutório do livro “Performance nas artes visuais” de Regina Melim.

A arte pode ser criada a partir de momentos?

Posted in Atividades Culturais on novembro 16, 2010 by klebert

O outro lado da gordura e do feltro, “toda pessoa é um artista” e “toda a existência passa pelo fluxo da criação e da destruição”.

Na Segunda Guerra Mundial, um jovem com 22 anos, piloto de um stuka, foi abatido por russos nas florestas da Crimélia. Ele foi salvo por nômades que esfregaram-lhe gordura de animal, e para mantê-lo aquecido usaram feltro. Esta estória foi protagonizada e influenciou diretamente as obras de um dos maiores artistas do século XX, Joseph Beuys. Isso explica porque a maioria das suas obras foram feitas com tais materiais. Esta parte de sua vida é contada visivelmente em boa parte de seu acervo. Um exemplo é “Eu amo a América e a América me ama” (EUA, 1974) performance em que o artista ficou envolvido em um feltro em uma sala com um coiote durante cinco dias, detalhe ele não encostou o pé diretamente em solo estadunidense nem na chegada e nem na sua saída do país.

Beuys foi o único artista a ter idéias contra a obra de Marcel Duchamp. Segundo ele “toda pessoa é um artista”. Sendo que Duchamp acreditava que o conceito que o artista criava era o principal, mas para isso era preciso ser habilitado.

Joseph foi um dos principais performistas da segunda metade do século XX. Fez parte do Fluxus, um grupo do movimento performista que tinha como lema “toda a existência passa pelo fluxo da criação e da destruição” (Heráclito). Outra performance de bastante impacto desse artista foi “Como se explicam quadros a uma lebre morta?” feita em 1965. Ele andava com a lebre dentro de uma galeria explicando-a os quadros lá existentes. Além disso, o seu rosto estava coberto de mel e ouro, sendo que o que separava o público eram vidraças.

As esculturas também fizeram parte do acervo de Beuys. Neste segmento ele teve como umas das principais obras “Cadeira com gordura” (1963) e “Infiltração homogênia para piano de calda” (1966). Mais uma vez vemos que o feltro e a gordura estão presentes.

Contudo, esse artista prova que momentos difíceis podem se tornar muito mais que mágoa e rancor. Eles podem se transformar em arte.

Post baseado nos seguintes sites da internet:

http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=8

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5621

http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Beuys

O consumo vira arte ou arte vira consumo?

Posted in Atividades Teóricas on novembro 3, 2010 by klebert

Pop art foi movimento artístico que no final dos anos 50 e ao decorrer dos 60 teve seu apogeu. Sua principal fonte inspiração era o consumismo. Um dos maiores artistas deste foi Andy Warhol. Este fez obras como “200 latas de sopa Campbell’s” (1962), “Caixa de sabão Brillo” (1964), “ Cinco garrafas de Coca-cola” (1962), “Marilyn Monroe dourada” (1962), “ Díptico de Marilyn” (1962) e outras.

Warhol em “200 latas de sopa Campbell’s” (1962) traduziu o que os estadunidenses estavam passando na época. O consumismo a todo vapor dava o tom de uma sociedade que só pensava em bens de consumo, sejam eles do cinema, do supermercado, da loja de roupas ou de eletrodoméstico. A população queria somente comprar, até os alimentos estavam sendo industrializados e vendidos em larga escala. As pessoas não estavam querendo nem fazer sua própria alimentação, elas simplesmente iam ao supermercado e compravam comida enlatada a qualquer hora do dia. Isso tudo fez o artista pensar, se as maiorias das coisas estão sendo popularizadas e vendidas em massa porque a arte não pode ser popular e ser vendida em larga escala?

Em muitas obras de Andy foram retratadas personalidades e marcas famosas. Uma dessas foi “Díptico de Marilyn” (1962). Nesta ele usa como inspiração um “objeto” de consumo do cinema, a atriz Marilyn Monroe. Com repetidas imagens da mesma ele mostra a disponibilização de produtos iguais para compra, inclusive suas obras, caracterizando o consumo de massa.

Nas obras aqui citadas , na verdade no movimento Pop Art, percebemos um influência do dadaísmo, mais precisamente do artista Marcel Duchamp. Warhol transformava coisas já existentes em arte e isso não deixa de ser o que Duchamp fazia em seus ready-mades.

Contudo, Andy Warhol  conseguiu fazer suas obras serem populares, porém ele entra em contradição. Como uma obra de um artista reconhecido no mundo todo, como Warhol é até hoje, pode ter um preço acessível para todos e se tornar um produto de massa?

Indicação: Blog “A arte é a assinatura da civilização”

Posted in Atividades Culturais on outubro 29, 2010 by klebert

Autora do blog

Esta semana o post Marlon Brando do blog “A arte é a assinatura da civilização”, da Alexia foi o meu escolhido para ser indicado aqui no Comentarte. Vão lá e confira a trajetória de um artista que passou por vários momentos conturbados em sua vida pessoal. Brando casou quatro vezes e teve seis filhos. E sua carreira foi marcada também por um Oscar, tendo ganho o prêmio em sua atuação em o “Poderoso chefão”. Não deixe de olhar os outros post da Alexia.